Alfredo, perante aquele cenário de solidão, nota que a sua cabeça, para além de estar a sangrar, pensa em vários cenários bem piores do que aquele, como por exemplo, um apocalipse ali, no meio de nada. Reparou também em todos os seus sentimentos misturados, como os de medo, tristeza, confusão, ira, e desespero. Principalmente desespero. Mas afastando tudo isso, decide mergulhar naquele mar verde de árvores tropicais que tinha pela frente para encontrar respostas a todas as suas perguntas.
No meio de tanto verde, Alfredo observa a diversidade das cores das flores. “São tão belas…” – disse baixinho. Baixou-se para observar uma orquídea lilás absolutamente linda, foi aí que ouviu um som baixo vindo de dentro dos arbustos, irrompendo os seus pensamentos, deixando-o um pouco assustado. Mais um sentimento para adicionar à já tão grande lista. Pelo som, parecia algo, ou alguém, a aproximar-se, mas, o que quer que fosse, deu meia volta e começou a correr. Alfredo, levado pela emoção desta aventura, larga o pequeno ramo de orquídeas que tinha na mão e corre atrás. A um certo momento ele, ou neste caso, ela parou, levantou-se e virou-se rapidamente, ficando assim frente-a-frente com Alfredo. “Deve ser uma nativa da ilha”-pensou.
A rapariga era morena, com olhos pretos intensos e cabelos ondulados, muito escuros e densos. Era também muito magra, parecia que não comia nada há dias e vestia, que deveria ter sido, um vestido branco, com um bordado de renda branco e lindo, mas estava velho, sujo e todo rasgado.
A rapariga continuava a olhá-lo fixamente.
-Do you speak English? – Perguntou Alfredo.
A cara da rapariga mudou. Tinha agora uma cara muito confusa, como se tivesse falado chinês, mas, talvez para ela, estivesse. Contudo, compreendeu que era só uma tentativa daquele homem comunicar com ela. A rapariga aponta para si mesma e diz “Flora”.

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